Prosto-me depois do amor ao lado teu,
enquanto te arrumas pra faculdade,
e olho-te a dançar minha mente numa questão:
o quão tão pouco foi de se abater no furacão de há pouco,
e me vem, mas vago: 'o quão se abaterá num possível nosso?'.
***
Isso é memória antiga que de súbito
vem vez ou outra em insights muitos.
É que penso no que eu teria de viver deixado
se a tua maneira inteira eu mais temesse.
E hoje ainda me marca e muito
aquele teu ser que eu relevava apaixonado:
o de seguir temendo muito pouco quase tudo.
Que Ser era esse que eu só via quando cansado?
E que no início concluia já definindo
quem tu era, e o que seria.
As vezes eu não me impressiono estando impressionado.
E do teu ser, em flash, recortes vindos,
como numa estranha sintesse da dimensão da mente,
lembro do quão pouco crescida fostes tua maneira
de ir levando a vida apesar da idade.
Hoje a idade que naquele tempo tinhas,
eu a tenho como uma ironia engraçada.
Ainda mais em relação aos meus pares
quando possuem a idade que na tua época eu tinha.
E o tempo tendo passado como eu projetei por vezes,
em relação ao nosso momento unicamente,
ora me digo que não vivi tanto nesse tempo.
Ora constato que tanta coisa tenha passado.
As vezes tenho medo de como seria se não fosse.
As vezes tenho medo de como não seria se fosse.
Por exemplo, eu não ter aprendido nada.
Ou o que é, ter sido não ter aprendido nada.
Titubeio pra concluir dizer que apaixonar é ruim.
Mas digo cedendo que é bom.
Faço porem ressalva: 'viver coisas mais amenas é ainda melhor'.
E que a paixão cega.
Ainda que seja tão doce está de tal forma inebriado.
Após a inundatoria poesia inicial sobram os fatos desmodalizados
que circundam o teu ser que era enfeitado,
e lhe deixam de uma maneira engraçada na mente.
Do que ficou de cheiros e lembranças
daquele período em que mais sofri pesado
concluo que mesmo tendo tu me doido em muito
até sofrer por você foi algo bom,
e traz uma nostalgia que caminha pararela a mágoa.