Quando esmiúço o novo,
por temer o que há mais no fundo,
qual palavra não é agulha
pra teu coração misterioso?
Isso de ir vendado,
de confiar no cheiro, riso,
que me entrega sutil,
nas entrelinhas, o que é dito...
Será que me acostumo,
será que acredito,
de cara, no meu palpite
de que és só menina?
Ora se não é o problema:
Farás de mim possível amor,
me levará contigo um tanto,
feito coisa bem querida,
venerando-me sem que eu duvide
das intensidades do que vem teu.
Mas, cedo ou tarde, não percebendo,
dará a um outro, sem dar por si,
o que não poderá conter,
tampouco poderá tomar.
Não será sujeita do teu fazer.
Só será o que será!
Dará, não por não ter,
dará só por ser de querer.
E culminará-se em algum sofrer
que vai ter de calar, obrigar a se conter.
E isso só seria coisa de quem quer o céu,
coisa de quem, da vida, cobiça os cheiros, os sons,
que gosta de sentir e sente tão puramente, e sem mentir,
o que sai, por natureza, do coração.
Seria autentica sede sem mentira.
De uma saúde que se tem pra se gozar.
Por isso tanto pergunto
atonito, aflito,
com agulhas sei que firo
mas e se também não são agulhas as que sinto?