Incontiveis sentimentos.
Também inexprimiveis.
Ela vem e me beija o rosto todo,
o corpo todo,
sempre com risadinhas de menina.
Não me diz nada, absoluto silêncio.
E só me olha no olho.
Tão diretamente que me desconcerto.
Tão demoradamente como que procurando alguma coisa.
Parece que me olha como que mergulhando,
feito descoberta de menino pequeno.
E a vejo assim porquê é tão fácil!
A coisa mas fácil e confiável de sentir
é a criança nela.
Tão flutuante e despreocupada!
Quando me procura com algum medo, é raro.
E há em mim profundo espasmo.
(Mais porquê
tenho desses sentimentos ruins assim
de gente insegura, que quer prender.)
Ela mergulha no meu olho.
Eu mergulho em meus receios.
Quase que estragando tudo:
O que é que se sente?
O que é importante?
E o que temer?
E me chama de complexo.
Por saber tão leve assim viver.
Absoluto silêncio.
Não por não ter o que dizer,
mais por saber tão leve assim viver.
Absoluto silêncio,
que nem devia enstristecer,
e enstristece.