Neste espaço, apenas poesias que desisti de finalizar, e que estavam abandonadas por anos no computador, e que por isso, não foram para o blog Algo turvo.
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  • Poesia
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Narrativa ficcional em forma de poema que fala de coesões sociais ou fugas sociais inspiradas pela figura de um menino de rua correndo de bicicleta.

Esteve sempre escrito nas nuvens, em letras garrafais, isso de que siga os conselhos dos seus país. Também de que os respeite.
Porém um problema é crer que os adultos estão corretos sempre.
E certas vezes você vê, mas não se sabe consciente, esse nosso caos típico: Tantos adultos, tanta merda.
Você opta por acreditar nos adultos.
Sem saber que não acredita.
E em seguir pelo mundo
por vezes são implicados mundos e posições,
de modo que somente
não se pode fazer a escolha de nao fazer uma escolha.
Depois você opta.
Não acredita e opta por acreditar.
E optar por acreditar despercebidamente é tido como acreditar.
E as ideologias são trânsitos de grandes cidades engarrafadas.
Tanto que de repente,
nem que seja por ser um pivete
de cabeça erguida, olhar seguro,
roubando bolachas no mercantil,
você opta.
Pois que não ter opção muitas vezes é tido como optar, despercebidamente.
De repente,
por pisar na cabeça do seu filho tal como seu pai pisara na sua,
como medida pedagógica - embora nao saiba o que seja, assimila, pois isto ecoa como uma das coisas necessárias do mundo
- você opta.
Pois que é muito seguro de seu leque de opções.
Pois que optou também por ser adulto antes do tempo.
E ainda está de pé.
Igualmente por ser um adulto sem tempo.
De tudo.
Mais principalmente tempo de ser.
Pois que optou por existir.
Num certo insight:
Seu filho é gay por que fala baixo?
Ou fala baixo por que é gay?
Não se sabe, mas incomoda que incomoda.
E por que optar?
Mas é sempre optar. Fugas, sublimações...
Medidas pedagógicas plausíveis?
Dor que não dói?
Então não há.
E opta por não optar.
Certa vez deparas com tal maço de sentimentos:
É que existe uma convenção, tal como muitas outras convenções
que se aprendera feito um bebê aprende o foco da visão,
segundo ao qual as coisas se configuram de um modo que de repente alguns adultos acham indigerível camisas que custam cinco contos.
Algo como num colapso sinestesico
vêem como feio o que é barato.
E você acha isso!
De uma maneira que elas são feias.
Primeiro feias, depois os outros sentidos.
E um adulto com roupas de criança - ou seria o inverso? não sei.
Armado, rouba 'bolachas' num banco,
pra comprar camisas de bem mais de cinco contos,
para seu filho que ele finge que não é gay.