Neste espaço, apenas poesias que desisti de finalizar, e que estavam abandonadas por anos no computador, e que por isso, não foram para o blog Algo turvo.
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Sobre o olhar mais como verbo que substantivo

Não que eu não goste do teu olhar,
ou não valorize o que há nele envolto.
Mas de bem mais peculiar,
sou de querê-lo é por como ele olha,
por como ele aponta na coisa vista.
E de evazivo ver sem olhar.
E de fugidio quase nem mira.
Dar respostas prum eu mais tolo.
Dar perguntas prum eu menino.
E por comportar ora um, ora outro,
acabo por cometer um mesmo delito:
achar que amo só pelo olho,
querer como se já tivesse tido.
O que é que cabe no teu olho?
Quão pouco me diz? tão muito que eu digo!
Talvez nada veja e eu aqui suspiro.
Talvez faço-lhe grande mas se quer lhe existo.
Mas tão quero que seja, que é sem ser.
E nunca paro e penso que eu não quero ver
que eu vejo muito mais Eu
do que propriamente Você.

Tempo e voar

ha esses dias em q o tempo fica bonito.
tempo no sentido de clima.
e prevalesce bonito por muito tempo,
durante o dia,
durante a tarde...
entao da medo
que isto passe,
ja que a noite esconde um pouco as coisas.
ainda que fique o cheiro bom
de terra molhada,
seiva,
folhas,
e pele banhada.
ha dias em que o tempo tá tão bom
mas do lado ha carnaval
e nao se quer ir.
nao se quer ser feliz nas coisas da rotina,
nas felicidades de sempre.
nao se quer ir para o bar vizinho.
a realidade do alcool nao almeija.
nao se quer sentar na calçada com o amor
e conversar conversa levinha.
nao se quer passear com os filhos
com o cachorro.
nem comprar frutas.
sequer sentar sozinho.
entao se olha pela janela por acaso
pra contemplar o que se perde
e de repente
parece q a única maneira
de aproveitar isto que a meteorologia
proporciona de uma maneira poetica..
a uniquisima maneira
de sentir-se consumir este momento
esta beleza absorvida por varios sentimentos
a unica maneira só se daria
se se podesse voar.
e não se pode voar.

Espera um pouco

Já que de grão em grão,
como que de repente,
far-se-a sensação
d'uma completa outra vida,
como tantíssimas vezes já fora,
embora a alma não amadureça
e as noites de sexta desesperem,
fazendo confundir
saudade com solidão,
por dentro me rendo e peço
pra que espere um pouco,
aquela tu, como fora comigo,
que em breve não será mais
nem a que egoistamente quis que fosse
nem a que mandei embora;


(...)
um eu


(...)
e eu que te mandei embora
entalo na garganta o quanto você era perfeita
(...)
ontem eu tive um alivio
tem dias que a noite é pesada

espera só mais um pouco aqui dentro
porque essa que guardo em breve será outra
e talvez nao a que eu queria que fosse
talvez um completamente distante das memorias que ficaram pra sempre
(...)
literalmente te matei

(...)
alivio  de que ninguem veio tomar teu lugar ainda
embora eu tenha querido enquanto um
enquanto outro alivio
(...)

SOB O OLHAR DE UM VIGILANTE ou A DESCRIÇÃO DE UM ENCONTRO

Há a história deste casal que numa tarde de sábado se encontra no shopping, a garota chega primeiro, ja estava sentada quando chega o rapaz que vai ao seu encontro lento e titubeante.
Não se beijam nem pegam nas mãos e nem trocam nenhum carinho e no entanto não estão brigados, ainda que estejam tremulos e com expressão nervosa, com um olhar duro daqueles que não saber pra onde ir, e, aflito procura onde pousar, pra algumas vezes parar um n'outro, nas vestimentas um d'outro, no cabelo, na boca, no jeito um d'doutro, de modo que aos poucos alguns sorrisos se acordem suaves e sutis e isto represente o momento do começo do gostar, quando se identificam com o nervosismo, com a gagueira, com a palavra errada alheia, dita, e condecentemente compreendida pela esperança do arquetipo positivo que se está a fazer, que é por enquanto apenas possível de vir no outro mas que na memória já se faz bonito, terno, novo, cheio de um futuro vigoroso. Na verdade se sabe que ontem, estes dois, também vieram ao shopping, no mesmo horário, ela entrou pelo estacionamento, ele pegou atalho por uma loja cara e sem arcondicionado, mas que dava acesso rapido a esta loja de roupas onde ele não sabia que ela olharia algumas peças, procurando não sei o quê e que nao encontrava, mas antes deixaria escapar com a inclinada abrupta porêm delicada do pescoço ao subir a escada, que o olhar pra ele pôde querer dizer levemente algo mais que olhar, embora ele se frustre sempre pela não-certeza inerente, e por temer a tarefa de corteja-la na selva de tecidos, na sessão feminina, quando apela pro bilhetinho covardemente e a atendente entende que ele está comprando presentes pra mãe ou pra irmã, ou até pruma namorada, que ele nem tem. Aliás, tem medo de ir até aquela menina que já parou um monte de vez de frente pra ele e olhou e olhou e esperou e depois sumiu e frustrou, até se encontrarem no dia seguinte, no banco em frente a loja de roupas, onde trocaram os ultimos olhares de figurantes até serem promovidos a protagonistas do filme um do outro.
Tudo isto, repara narrativamente, das câmeras da vigilancia deste shopping, um vigilante, que teve o faro certo e por romantismo que ele nem sabe por nome e se o tem, sacou tudo sem minimamente ouvir as vozes dos personagens, que até então não falaram muito, mas finalizaram esta história com um selinho no café Sabor e Arte. Esta é a história de dois românticos que pensaram exatamente do mesmo jeito, partindo apenas de um ponto vago, no universo do emaranhado de figurantes de uma urbanidade muitas vezes efêmera, outras nem tanto.

Sobre O Conforto de Um Lar - ou - Aquilo

Antes que tudo
pareça
Aquilo
as vezes penso:
devia fugir.
Logo.

Antes que
       as pernas fiquem fracas
e o corpo
em posição fetal tranquilo
espere por porra nenhuma. Só por ela.

A gente corre atras daquilo..
a gente corre em direção
ao
pre
ci
pi
cio.
sem saber fugindo
fugindo sem saber
de quê.

As vezes eu me digo:
"eu sou um valentao, né não?"
Eu saio destas casas
- onde cada casa uma era
onde cada era um amor
- Eu saio destas casas
quando bem quero.
e saio tranquilo
e vivo saindo
quando bem quero.
eu me sinto um campeão!

E eu digo todo dia
pros meus amigos,
espelhos refletores gradativos
do meu passado que perdia:
oh, eu sou um valentão!
Eu saio das casas
quando bem quero!

Eu sinto que fora de casa,
ainda que eu fique com o peito frio
de saudade,
eu bebo vinho
e passa.
Devagarinho passa.
Eu me sinto valentão...

... mas é dentro
de uma casa
confortavel
bem macia
de voz doce
e olhar terno
pele branca
cheirosinha...

mas é dentro
de uma casa
mas é dentro
de uma casa
mas é dentro
de uma casa
mas é dentro
de uma casa
mas é dentro
de uma casa
mas é dentro
de uma casa

Do conforto de uma casa
Do conforto de tuas pernas
Do conforto de tuas dores
Do conforto dos seus delirios
teus impulso paranoias
soprando não sei porque de nervosa
Do conforto de seu riso
estranho duplo riso simpático seguindo riso incisivo
parecido mergulhinho mastigado como vindo pra mim
que eu bem gravei e não sei onde
que eu nem procuro e acho
que eu mal visualizo e sinto

é no conforto dessa casa
nesse conforto tão estranho
que mora

escondido

o perigo.

estar no mesmo vão da casa
condição catalizadora
de foder a porra toda

- Posso entrar?

Ninguem pediu… Ninguem deixou…
Ninguem falou... Ninguem ouviu...
Ninguem temeu... Ninguem mexeu...
Ninguem roubou... Nem bagunçou...

Mas não sei porque,
de repente,
há toda essa bagunça,
a casa de outra cor,
as vezes é boa música,
as vezes é dor..

Não sei porque e é de repente que se está
no conforto de uma outra casa
e aquilo espreita
e convem não ter preguiça
e domar.

Conquista

A série de atos que compõem este episódio chamado conquista
(especificamente a conquista romântica ou flerte ou affair),
normalmente tido como prelúdio, ou intervalo, ou contratempo...
esse episódio é uma das coisas mais divinamente formidáveis.
A distinção que quero fazer é mais evidenciando o que outrora ja devaneei:
A conquista tem hora que me cheira a um fim em si,
muito mais que propriamente um mero percalço pra um suposto Todo que seria 'o abate'.
Sem querer e já sendo grosseiro: me falta palavra com semântica mais de derradeiro,
embora com teor carniceiro, pra me remeter mais ao sentimento de fatalidade.
Isto chamo de "a fatalidade do tê-la" (ter a contraparte romantizada), pois que o proximo passo será,
o que aqui relevo por já vir considerando há muitos insights,
a tristeza inerente a vida, e o tempo, inevitaveis a passar.

De tal forma, tão assim, situo-me (e nem nego que possa ser passageiro, como daqui pra amanhã)
que de certo modo, tanto faz,  ou aparentemente tanto faz,
ou PRETENSAMENTE tanto faça (pelo momento em questão: razoavelmente conturbado)
relativamente nenhum mal,
que nao venha a ocorrer um retorno supostamente querido da contraparte romantizada,
neste episódio, de há pouco,
cujo especificamente nesses dias, pela configuração desses dias,
foi inconsientemente querido,
conscientemente mastigado,
algumas vezes cuspido,
mas dubiamente desejado.

Pois que venho ultimamente me boicotando,
por motivos de deixar a vida levar embora outros capítulos.
Se é que de fato, conscientizo honestamente sobre isso.

Então, sendo a conquista, um fim em si,
ainda que se tenha vivido pela correntenza adrenalítica inerente,
agora há pouco, a Epopeia,
e depois destes suados e eternos 10 minutos
em que se ensaiou, e concretizou-se,
no encontro do coletivo - muito coletivo -
a falsa trombada pra entrega de bilhetinho....

Sendo, a conquista, um fim em si,
se é livre, inclusive pra boicotar seu "futuro eu prisioneiro do alheio",
do que independe de si (até que vida prove o contrário. As vezes tristemente. As vezes felismente.).

Se se apaixonas pela conquista,
boicota a tudo que não faz bem que parece que faz,
como a filha da puta da carência.
Pode boicotar inclusive sua contraparte romantizada,
quando na playlist do celular vier Jorge e Mateus,
ou o livro que carregas for parente da saga crepúsculo,
ou de repente não houver essa certeza toda de que os olhos verdes e cabelo alaranjado
justifiquem essa beleza que se desenha remotamente.

Dentro da conquista em si, é um dos momentos em que o homem vence a maior vitoria que pode ser, a sobre si mesmo.


Especulo intenso o quão injusto somos de efemerizar o episódio da conquista.


As vezes em que mais lembro de sentir verdadeiramente a vida,
como rompendo o cenário da peça de teatro que é esta,
foi quando posto a fortes tensões sociais,
a fortes tensões da relação com o outro mais distante,
e na conquista a tensão vem misturada a cheiros, gestos, formato de pescoço colidindo com formato do rosto, da boca, do rosto, os olhos, rabo de cavalo,
cor da camisa.
Num seminário, oficina, minicurso, palestra, a mim especificamente isso também ocorrera,
mas sem as misturas
justificativas da poesia maior.
Aliada a alcool, então?



A conquista, transforma a vida de um jeito,
porque tem potencial pra tudo,
inclusive do perigo da cegueira (mas não quero falar sobre isto agora).



Nela, o que pode ser um simples ato natural, inerente e inevitavel, da doce donzela colher seu bilhetinho,
depositar suavemente no bolso, até parecendo que sentes o quão desejosa o fez esse ato..
um simples ato bobo, se torna um vitorioso desenho composto de frames lentificados, semi-eternos, valiosos e dignos de uma idealização completamente condenavel.
Mais humanamente compensatória.
Resultando num menino cirilamente feliz (adjetivo relativo a círilo do carrosel)
mesmo ciente da temporialidade desse estado,
mas indefinidamente realizado por consumir o presente de uma maneira
que pode ser muito mais adubo pruma essencia interior mais vigorosa.


Amar para amar

Muitas vezes,
mais do que eu sentia que podia no momento,
mais do que eu sentia que saia de mim naturalmente,
no meio do chumbo trocado, de nossa artilharia, gradativamente mais pesada,
eu quis apenas te amar,
amparado no medo de está como uma certeza feia.
feia e infelismente gradativamente maior.
Em algo que, se não era tão recente,
eu sempre quis fosse.
Como que querendo concervar o frescors das coisas novas e descobertas
E como que buscando um motivo pra te amar
por não sentir, naqueles momentos de ódios, haver motivos,
com medo de está certo
no final das contas
cedo ou tarde
eu te amava sem motivo,
e esquecia que eles faltavam.
Acreditava te amar.
Algumas vezes mais cedo
outras vezes mais tarde.
E como que brotando das cinzas,
e numa via de mão única,
só te amava.
E aquilo era como se fosse o sentido essencial,
amar e amar, pra poder amar.
Antes essa figura, esse estilo, de sentir,
já morava dentro de mim, por encontrar subsidios externos,
e movido por esse ethos, também me movia por saber que eu ja te queria por imagem,
por representação dos meus desejos,
por realização de conquista.
Então era coerente que eu seguisse me esforçando,
ainda que depois dos 3 primeiros segundos,
você já tivesse me dado cores não bonitas.
E numa via de mão única
logo surgia no caminho meu encontro como o que eu procurava.
E dia após dia mais eu tinha que encontrar motivos numa mão única.
E sem reclamar, eles sempre vinham mesmo.

Mas muitas vezes eu me pergunto (...)

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